Filhos do divórcio

Filhos do divórcio 
Luiz Carlos Crozera
O tema é de grande dimensão. A Família é a base da Sociedade, sendo que os valores éticos e morais estão se perdendo com o passar dos dias. Quando encontramos harmonia no casal, tudo transcorre normalmente, quando os sentimentos existentes numa união conjugal começa sofrer alterações comportamentais, a vida da família entra em risco.

A rotina de uma relação conjugal, ao longo dos dias, leva o casal numa verdadeira acomodação, inclusive de sentimentos, qualquer atrito é fonte de desentendimentos, com passar do tempo o acumulo de mágoas e recentimentos aumentam, num verdadeiro processo, provocando a desunião e o desequilíbrio sentimental entre o casal.

Os momentos de atritos e desavenças vão se acentuando, numa verdadeira perda de respeito, sem poupar os filhos. Na maioria das vezes pequenos motivos geram grandes discussões, isso se torna uma verdadeira rotina na vida conjugal.

Entretanto o casamento continua, sempre para manter as aparências, pois o casal possui uma estrutura mobiliária e imobiliária, seria difícil recomeçar uma vida novamente, nessa altura as famílias já estão muito envolvidas, foram muitas lutas para conquistarem a estabilidade, enfim, são apenas alguns obstáculos que impedem uma separação, entretanto cada dia fica mais difícil o convívio doméstico, mesmo assim dentro da mente de cada conjugue existe uma esperança de mudança de comportamento, procuram-se agradar mas sem sentimentos, vivendo uma verdadeira mentira, os carinhos já não são os mesmos, são apenas toques. Quando se encontram, cada um veste um disfarce e assim vão levando o dia a dia. Os filhos também podem ser um dos obstáculos para o divórcio, recai sob o filho um profundo sentimento de rejeição, muitos casos os filhos são produzidos como forma de segurar o casamento, outros são desejados realmente e acabam transformando e iluminando a vida do casal.
Com o passar do tempo, na maioria dos casos, instala-se o desinteresse do casamento, as mentes trabalham num espírito de competição, de jogos de palavras e falta de respeito, as atitudes já não mais são as mesmas. Inúmeras pessoas se acomodam pôr motivos fúteis como: covardia, medo das famílias e da opinião pública, tornando a Vida sem sentido. No entanto, as pessoas acabam sofrendo pôr egoísmo, evitam o diálogo, a compreensão, oentendimento, que é a melhor forma de ajustes. Quando o casal decide sentar para realmente conversar sobre suas vidas, fazendo reflexões racionais, o Amor pode se restaurar, e a Paz voltar a reinar no Lar, longe das vinganças, rancores e mágoas.
Lamentavelmente os filhos captam como esponjas as guerras psicológicas entre os pais, nitidamente inseguras pelo ambiente formado, amedrontam-se facilmente com as discussões sem terem a capacidade de interpretar o que está ocorrendo, a energia negativa presente nos olhares, gestos, atitudes e especialmente na fala acaba gravando profundamente na mente da criança. Com a dificuldade de suportarem um relacionamento abalado, os pais racionalmente se justificam, mesmo com a consciência inquieta, que devem ainda continuarem juntos pelo bem do(s) filho(s). No entanto as conseqüências do desamor, passam desapercebido com a falta de atenção, carinho e amor para com a(s) criança(s). Interessante observar que a maioria da falta de entendimento dos casais estão ligadas aos mesmos problemas dos antepassados: dinheiro, relações de família, desemprego, acomodação, rotina, educação dos filhos onde, existe divergências de opiniões que desastrosamente lançam as desavenças na frente do(s) filho(s), levando-os numa infelicidade constante. A ignorância dos adultos e a falta de educação exemplar no ambiente familiar lançarão as crianças indefesas num futuro traumático. A maioria dos casais que não vivem em harmonia, mas insistem em permanecerem no mesmo teto, é devido a fatores monetários, pois a renda mensal familiar não permitiria a sobrevivência em separados.

O ato do divórcio está cada vez mais presente na sociedade, afetando diretamente os filhos (em qualquer idade!), entretanto a maioria deles vivem na esperança de um dia seus pais retornarem ao convívio novamente, reconstruindo o Lar, mas o sentimento de perda , a instabilidade emocional, o medo instala-se na mente delas, mas esse sonho se perde totalmente quando o pai ou a mãe se une a outra pessoa, fazendo com que a criança perca totalmente as esperanças, torna-se desequilibrada emocionalmente, para o resto de sua vida. O fato de entrar um padrasto ou madrasta para substituir o pai ou a mãe pode ser uma agravante (existe exceções), mas a maioria passam pôr situações de sofrimento, angustia e desapontamento. Pôr mais que os pais estejam errados, os genitores sempre terão um espaço especial reservado na mente dos filhos, como referencial importante.

Com o passar do tempo os filhos do divórcio sentirão a sobrecarga traumática das situações vivenciadas entre seus pais, permanecerão durante toda a vida com sentimento de culpa, principalmente aqueles que guardam em suas mentes conscientes frases como “Há como eu gostaria de Ter Paz sozinho, viver minha vida, longe de você e desse menino!…..”, “Se não fosse essa criança eu jamais estaria com você!…” e, esse sentimento de abandono e rejeição serão intensificados com o passar do tempo, inclusive provocando a sensação de ser ela (criança) responsável pela separação dos pais.

No caso de adoção, de imediato as crianças terão desconfianças e inseguranças, receios constantes. Quando recém nascidas encontram maior facilidade de adaptação no novo lar, ao contrario daquelas que arrastam consigo o trauma dos pais, estas infelizmente encontram dificuldades para aceitar uma nova família e mais tarde seu comportamento será agressivo, de rebeldia, delinqüência, marginalidade, inclusive muita dificuldade de aprendizado. Se os pais adotivos também se divorciam, haverá uma luta para que se reconciliem e, confirmando uma nova separação , o filho adotivo dificilmente aceitará uma nova substituição de pais, e os problemas serão psicossomatizados onde um indivíduo totalmente saudável poderá se transformar numa pessoa problemática.

Lamentavelmente a falta de estrutura e Higiene Mental Familiar é o grande deformador da Sociedade, levando os seres humanos a pensarem de forma errônea: que a educação e a formação dos filhos exige sacrifícios e renuncias sendo menos importante que as soluções dos conflitos e prazeres pessoais, sobretudo os sentimentais. A violência familiar de hoje é resultante de um processo social aliada ao despreparo e desinformação dos pais. Se a família constitui uma célula da sociedade, e ela está se deteriorando, fatalmente a sociedade terá o mesmo fim….e é o que está ocorrendo!.

Uma criança maltratada e rejeitada, quando adulta, pode tornar-se cidadão agressivo, inclusive caindo no erro de seus pais, mesmo que não maltrate fisicamente pessoas de seu convívio, empregará (devido ao trauma repressivo) métodos de violência emocional, buscando sempre a humilhação, desvalorização e criticas, numa aparente crise de desvio de comportamento. Infelizmente esse mecanismo psíquico é passado de geração em geração, esse é um dos motivos da crise da violência e da intranqüilidade em que vive a sociedade de hoje.

Quando a criança perde um princípio referencial (pai e/ou mãe), a desordem reina na sua mente confusa, poderá surgir depressões de bastante gravidade e de preocupantes conseqüências futuras. É importante também para uma criança ou adolescente a segurança de possuir seu próprio espaço, o “seu quarto”, a “sua casa”, o “seu lar”.

Normalmente, salvo raras exceções, é a mãe que fica incumbida da custódia dos filhos, passando com o pai apenas os fins de semana e parte das férias. Portanto elas ficam divididas pôr duas casas, na generalidade com formas de vida bem diferentes, o que pode criar um foco constante de instabilidade, e de laços afetivos superficiais que ameaçam e dificultam a construção de uma identidade forte.

Apesar de todos estes tão trágicos inconvenientes, os psicólogos defendem que uma família com a presença só do pai ou da mãe proporciona um ambiente mais saudável para a formação das crianças, do que uma família em guerras conflituosas, divididas, constantemente atormentada pelas desavenças do casal.
É imprescindível !, uma obrigatoriedade humana, não dar ao nascimento da criança somente um existir, mas aprender a dar-lhe Vida!

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